O que a Olimpíada irá deixar para os brasileiros?

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Pela primeira vez, os Jogos Olímpicos vão ser organizados por um país sulamericano. No entanto, o que deveria ser saudado como conquista para um continente emergente, parece ter tomado o sentido inverso. Como estava o Brasil na época da candidatura (2009) e agora? Qual legado que a RIO 2016 vai deixar para os brasileiros? O dinheiro investido nos jogos será revertido em desenvolvimento para um país em crise política e econômica? Essas e outras questões são levantadas em relatório do Projeto Gestão Pública Eficaz, do SESCON-RS em parceria com a PUCRS. Confira abaixo a seção de perguntas e respostas. Ou acesse o relatório completo no link: http://bit.ly/2aBZ7s0

 

O que foi prometido, quando da candidatura, será entregue? Porque? 

Prometeu-se um país com crescimento econômico, equilíbrio fiscal e estabilidade econômica. Mas, na realidade, em 2016 o Brasil já enfrenta seu segundo ano consecutivo de recessão, não é capaz de gerar equilíbrio fiscal ainda que com elevação de impostos nos últimos anos e a inflação (estabilidade econômica) encontra-se comprometida.

 

Os jogos olímpicos ocorrem em meio a um país em franca recessão. Qual a influência do cenário econômico para o êxito de imagem e legado dos Jogos? 

É a primeira vez que uma Olimpíada será realizada em um cenário de recessão econômica na história. A imagem do movimento olímpico pode ser arranhada por duas razões: em primeiro lugar, pela ausência de planejamento e medidas antecipatórias para se ter uma população engajada e em condições de aproveitar o que os Jogos oferecem de melhor:  a integração entre culturas diversas; em segundo lugar, uma condição na qual o potencial de turismo futuro permaneceria comprometido já que não se poderá, em ambiente recessivo e tumultuado politicamente, construir a imagem de nação próspera.

 

Hoje, faltando pouco para o evento, o RJ ainda está em obras. Podemos afirmar que os jogos foram mal planejados?

Os jogos não apenas foram mal planejados pelo cronograma das obras, mas também pelas obras não realizadas (despoluição da lagoa Rodrigo de Freitas e da Baía de Guanabara). O Brasil continuará devendo em gestão de projetos de curto e longo prazos.

 

Comparando com a organização da Copa do Mundo de Futebol, outro grande evento ocorrido recentemente aqui, como chegamos a essa Olimpíada? Os erros da Copa serviram de exemplo?

A Copa do Mundo é um evento que percorre as principais cidades do Brasil, ao passo que a Olimpíada é concentrada geograficamente, o que torna seu desafio maior, já que são dezenas de campeonatos mundiais em paralelo. O aprendizado não ocorreu, como demonstram as obras em locais que já foram palcos de eventos da Copa do Mundo, como o Maracanã, e na infraestrutura de transportes. A oportunidade era integrar os eventos e criar escala para as obras, sobretudo as de legado para a cidade. O Rio Olímpico bem poderia ter sido uma inspiração para uma reforma urbana no Brasil, especialmente a um custo de R$ 39 bi.

 

O RJ vive uma crise de saúde pública. O dinheiro investido nos jogos não seria melhor empregado, caso fosse destinado para suprir essa carência? Poderia suprir?

Na realidade, o orçamento da Olimpíada poderia complementar as soluções nas áreas de carência da cidade, como a saúde. O que se observa, todavia, é que além de concentrado em áreas nobres da cidade, cerca de R$ 14 bi, ou 36%, são destinados a instalações esportivas e realização dos jogos. Para comparação, basta observar que o orçamento de saúde anual do estado do RJ é de R$ 5 bi.

 

Num exercício de futurologia, é possível projetar como o Brasil sairá desse evento?  Qual será o nosso panorama econômico pós Olimpíada?

Acreditamos que com a troca de governo e sua confirmação, haverá condições para se criar uma nova política econômica, já que o governo anterior estava ausente em termos de formulação de uma política econômica coerente. Essa será a principal chance de o Brasil voltar a crescer. No entanto, para manter um crescimento constante e duradouro, o Brasil necessitará de outras medidas mais profundas, notadamente uma reorganização do sistema tributário.